“Brasilis”: A história do Brasil revista com outros olhos

O jornalista e escritor Eduardo Bueno mostra a riqueza da nossa história na coleção “Brasilis”. Os dois primeiros exemplares da coleção “A viagem do descobrimento” e “Náufragos, traficantes e degredados” são ricos em detalhes e comprovam que a história brasileira começou muito antes do desembarque de Pedro Álvares Cabral em suas caravelas, e que os nativos que aqui viviam não eram tão inocentes e pacatos como aprendi nos meus tempos de escola.

O primeiro volume, “A viagem do descobrimento”, traça o princípio da história brasileira. O interessante é conhecer os meandros que levaram os portugueses a conhecerem as novas terras. O escritor narra com riqueza de detalhes a trajetória de personagens como Vasco da Gama, Pero Vaz de Caminha, Américo Vespúcio, Pedro Álvares Cabral, entre outros, que, aos poucos, vão sendo apresentados aos leitores como homens que venceram seus limites e se colocaram na aventura em busca de uma nova rota para as Índias, mas acabaram descobrindo novas terras repletas de Pau Brasil, aves exóticas e nativos, os quais, em um primeiro momento, se mostravam amigáveis e receptivos com os estrangeiros; porém, em seguida, os transformavam em banquete.

“Pedro Álvares Cabral era, na verdade, o chefe militar da missão. O comando técnico da frota fora entregue a homens como Pero Escolar, um dos mais afamados pilotos de sua época, que dirigira o navio com o qual Nicolau Coelho tinha “descoberto” o caminho marítimo para as Índias, junto com Vasco da Gama, em 1497-98.”

Cabruuum_brasilisEm “Náufragos, traficantes e degredados”, são retratados os anos mais desconhecidos da história do Brasil. São aqueles que se estendem da descoberta de Cabral, em abril de 1500, à expedição de Martim Afonso de Sousa, em 1531. Justamente os 30 anos que diziam os professores de história, da minha época, não haver interesse de Portugal pelas novas terras.

A coroa portuguesa se mostrou interessada pelas terras descobertas, não com o mesmo ímpeto que os espanhóis, mas vieram pessoas como Fernando de Noronha e Américo Vespúcio que iniciaram, modestamente, diga-se de passagem, a posse da terra. Durante a leitura, percebe-se que esse período, além de misterioso, é também muito intenso e movimentado.

“No dia 10 de maio de 1501, uma frota de três caravelas, comandada por Gonçalo Coelho, zarpou de Lisboa em direção ao Brasil. A bordo de um dos navios seguia o florentino Américo Vespúcio.”

Além de portugueses e espanhóis, os franceses também deram o ar da graça em terras tupiniquins, todos com o mesmo intuito de saquear, escravizar e contrabandear nas terras sem leis e sem reis. Escrito a partir de diários de bordo, narrativas de viagem e fragmentos de cartas, a obra investiga a trajetória pessoal de homens com reputações duvidosas que são colocados sempre à margem da história oficial.

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Após concluir as duas leituras, veio-me à memória aquela expressão que já ouvi diversas vezes em diferentes bocas: “Estaríamos melhores se franceses, holandeses ou ingleses tivessem colonizado o Brasil”. Na verdade, quem veio até o Brasil no período pré e pós-colonização não tinha a intenção de viver aqui, de construir morada, de criar raízes, mas, apenas, de enriquecer. Uma pena descobrir que passados mais de 500 anos da chegada dos descobridores e colonizadores ao Brasil, o mesmo comportamento ainda se repete em nossos governantes.

Curiosidade: o termo “brasileiro” era usado, na época, para designar os homens que vinham até as novas terras para contrabandear a matéria prima aqui encontrada. O gentílico correto, que deveria ser usado, para designar quem nasce no Brasil é brasiliense.

Sobre o autor

O porto-alegrense Eduardo Bueno nasceu em 30 de maio de 1958. Além de jornalista e escritor, ele também fez carreira como tradutor e editor. Iniciou no jornalismo aos 17 anos de idade como repórter do jornal Zero Hora, onde recebeu o apelido de “Peninha”. Formou-se em jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Sobre a coleção

A coleção é composta das obras “A viagem do descobrimento” (1998), “Náufragos, traficantes e degredados” (1998), “Capitães do Brasil” (1999) e “A Coroa, a cruz e a espada” (2006). Como tradutor, Eduardo Bueno já traduziu mais de 22 livros, entre eles o clássico “Pé na estrada” (On the Road), de Jack Kerouac. Entre as suas outras publicações, destacam-se “Blá, Blá, Blá: a biografia autorizada dos Mamonas Assassinas” (1996),  “Brasil: Terra à Vista!” (2000), “Brasil: uma história: Cinco séculos de um país em construção” (2003), “Passando a limpo: história da higiene pessoal no Brasil” (2007) e “Brasil: uma história” (2012).


Para saber mais sobre:

Eduardo Bueno: Facebook / YouTube 

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