Boni: o homem que inventou a comunicação na televisão –  Parte I

Pretensioso o título, não? Mas ao saber mais sobre Boni, você vai entender o que estou dizendo.

“Não esperem deste livro nenhuma informação bombástica ou a revelação de segredos dos bastidores ou das empresas, até hoje ocultos”

E assim começa “O livro do Boni”. Confesso que, de cara, bateu uma pontinha de desapontamento, mas segui firme e forte na leitura acreditando que seria enriquecedor conhecer mais sobre um dos maiores profissionais de comunicação do Brasil. E, no fim das contas, descobri que eu estava certíssima.

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Olá, você está sintonizado (a) na rádio…

Os primeiros capítulos são reservados para informações sobre sua família, infância e seus primeiros passos na profissão.

No início dos anos 1950, o principal veículo de comunicação era o rádio, meio que realmente atingia as pessoas e onde os grandes artistas estavam. Foi lá que Boni começou a trabalhar na Rádio Nacional, ao lado do grande radialista e empresário Manoel da Nóbrega – pai do Carlos Alberto de Nóbrega. Até então, o menino de Osasco (interior de São Paulo) fazia pequenos trabalhos em rádios menores com textos publicitários e de humor.

“(Na rádio Roquette Pinto) publicitários da Toddy do Brasil necessitavam de um jovem para escrever o texto de um programa dedicado aos adolescentes (…) Além de escrever textos, eu me escalava para alguns papéis nos quadros do programa”, diz na página 32.

A partir daí, em sua trajetória constam passagens como redator e diretor de criação por agências de publicidade (J.W. Thompson, Linx Filmes, Multi Propaganda, Alcântara Machado), inclusive fundou sua própria agência, a Proeme Publicidade e Mercadologia, e esteve em cargos de liderança nas principais emissoras de televisão da época: TV Tupi, TV Paulista, TV Rio, TV Excelsior até chegar à Rede Globo de Televisão.

Boni e os grandes nomes da indústria do entretenimento brasileiro

Ao longo dos capítulos, Boni descreve suas experiências pessoais nos corredores de rádios e emissoras de televisão, momentos com grandes nomes da história da teledramaturgia e da música brasileira. Entres os quais, Maysa, Dercy Gonçalves, Moacyr Franco, Chacrinha, Chico Anysio, Jô Soares, Janete Clair, Dias Gomes, Roberto Carlos, Tom Jobim, entre outros.

http://celebridades.uol.com.br/album/lancamento-livro-boni_album.htm#fotoNav=42
crédito: UOL

Qualidade, qualidade, qualidade

Tratando-se de Boni é impossível deixar de falar sobre como fazer televisão, seus macetes, peculiaridades, processos e logística. Uma das partes mais interessantes (quem gosta de televisão e comunicação vai me entender, rs) é quando Boni revela processos introduzidos na TV, que na época eram inovadores, e que hoje não nos imaginamos sem. Pequenos detalhes de linguagem e cuidados com o acabamento dos programas interferiram diretamente na percepção do telespectador.

Veja alguns detalhes que Boni estabeleceu na Rede Globo e que hoje são inquestionáveis.

  • Novelas – Câmeras travadas durante as cenas e que os eventuais movimentos fossem estudados e marcados cuidadosamente, tentando se aproximar da linguagem do cinema.
  • Musicais – Proibição de dublagem. Todos os números musicais teriam que ser feitos com som direto dos cantores, com acompanhamento musical ao vivo ou, no máximo, em playback.
  • Esportes – Narradores deixaram de fazer os chamados “textos-foguetes”, os comerciais dos patrocinadores durante a transmissão.
  • “Deixa” – Para facilitar a transição da transmissão para o comercial, foi criada a “deixa”: “Globo e você: tudo a ver”.
  • Filmes – Inseriu legendas no início de cada bloco, com o nome do filme e, em seguida, a indicação de qual parte estava sendo exibida, a conhecida “Parte 1”, “Parte 2”, “Final”.
  • Plim, plim – Criou a vinheta “Plim, plim” para interromper o filme e começar a publicidade. Nesse trecho, Boni fala sobre a importância de desenvolver uma mensagem curta que marcasse tanto. “O ‘plim, plim’ pegou, ajudou a definir o que era filme e o que era comercial e ainda virou uma marca da Globo. É a melhor síntese que consegui realizar na minha carreira publicitária”, afirmou na página 300.

Ainda tem muita história para contar. José Bonifácio de Oliveira Sobrinho cita ainda pessoas que foram fundamentais para a evolução da televisão brasileira, fala sobre como a ditadura militar e a censura influenciaram em seu trabalho e revela um dos departamentos que era seu verdadeiro xodó. Isso, na segunda parte da resenha.

O texto será publicado aqui, no Cabruuum, nesta sexta-feira (23/06/2017).
Fique ligado 😉


Parte 1

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