Uma homenagem à vida de Hebe Camargo – Parte II

Esta resenha traz um pouco do que conta o livro Hebe – A Biografia, de Artur Xexéo.

Se você ainda não leu como foi o início como cantora, como se tornou apresentadora e o seu casamento, clique aqui e veja a Parte I.

Um novo recomeço na TV Record

Uma homenagem à vida de Hebe Camargo_Cabruuum
Crédito: Folha Imagem

Após as negociações com o diretor  da  TV Record, Paulo Machado de Carvalho, a apresentadora passou a integrar o estrelado elenco do canal, que contava com Elis Regina, Jair Rodrigues, Wilson Simonal, Roberto Carlos, Wanderléa e Erasmo Carlos.

Seu programa Hebe voltaria ao ar nos antigos moldes, com entrevistas e músicas.

Surgimento de um bordão histórico

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Todos os convidados de seu programa eram recebidos com a expressão “Que gracinha”, que logo caiu no gosto popular. “Hebe acabou com o formalismo que reinava nas entrevistas da televisão, recebendo seus convidados com um beijo no rosto, fosse ele um presidente da República ou uma estrela de Hollywood”, diz Xexéo na página 96.

Mulher bem-sucedida

Seus índices de audiência alcançam incríveis 80% nos índices do Ibope. Na virada dos anos 1960 para 1970, era o mais importante programa de entrevistas da televisão.

Quando completou quatro anos na Record, fez mais de 1.600 entrevistas, recebia 600 cartas por mês e trocava de telefone a cada três meses (para fugir dos fãs que ligavam pedindo desde dinheiro até para que ela os entrevistasse).

Este sucesso teve seu preço. Sete anos após o casamente, Hebe e Décio de divorciaram. Segundo ela, ele não suportou seu sucesso e fama.

Dobradinha com Ronald Golias

O sorriso fácil de Hebe favorecia a sua participação bem-sucedida em comédias e isso ficou evidente no Show do Dia 7, um programa especial realizado uma vez por mês, no dia 7, em referência ao número do canal da TV Record.

A primeira participação de Hebe aconteceu em 7 de julho de 1967. O programa era a Família Trapo, que comemorava o aniversário de Bronco (Ronald Golias). Hebe fez o papel de uma empregada contratada especialmente para a festa.

“Ali aconteceu a magia dos encontros artísticos inesperados. […] Golias gritava alguma coisa para ela, e Hebe saía correndo pelo palco. Puro improviso. O público morria de rir”, conta Xexéo na página 119. Foi assim que nasceu uma das duplas humorísticas de mais química da TV Record:  Hebe Camargo e Ronald Golias.

Dali pra frente, eles voltaram a aparecer juntos, como protagonistas, improvisando, esquecendo o texto e rindo das piadas um do outro em cena. Alguns especiais inesquecíveis foram:

  • Romeu e Julieta
  • Cleópatra e Marco Antônio
  • Marguerite e Armand (A dama das camélias)

SBT se torna sua nova casa

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Crédito: Divulgação/SBT

Depois de oito anos na TV Record, a apresentadora passou um tempo longe da TV (1975 a 1979) curtindo a família e o então namorado Lélio Ravagnani. Seu retorno à telinha aconteceu na TV Bandeirantes, em 9 de dezembro de 1979. No entanto, Hebe reclamou por um bom tempo de salários atrasados, do camarim que usava e reivindicando aumento para os funcionários da produção. A relação não era das melhores.

Em 1985, ao conseguir as concessões do governo, o SBT passou a formar o seu casting televisivo. Silvio Santos buscou Hebe para conquistar uma parcela diferente de público, a classe A, pois sabia que junto com a apresentadora viria um importante ingrediente para o SBT: prestígio.

Foi no SBT que Hebe passou a fazer críticas pesadas ao governo, fosse ele da esfera federal, estadual ou municipal. O programa encontrou seu formato quando começou a ser dividido em três partes: editorial da apresentadora, um debate e um número musical.

O que o livro ainda fala…

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Crédito: Reprodução

O livro ainda traz a relação de Hebe com a censura, na época da ditadura e pós-regime militar, a amizade com Nair Bello e Lolita Rodrigues, a amizade com a Xuxa, como quando disse à Rainha dos Baixinhos “Eu sou você amanhã” (Será?!), em quem deu seu primeiro selinho na TV, seu perfil político, a influência e participação do sobrinho Claudio Pessutti, a gravação dos últimos álbuns, a saída do SBT para a Rede TV até a descoberta da doença e sua morte. Tal como a vida da apresentadora, o livro é bem rico em detalhes, acontecimentos e informações.

Uma homenagem à vida de Hebe Camargo_Cabruuum
Crédito: Reprodução

Este foi um dos poucos livros que me emocionei ao ler. Mas foi emocionar de chorar mesmo. Me peguei chorando dentro do ônibus, ao lembrar em alguns trechos, principalmente nas páginas 250 e 252.

Vale a pena a leitura para aqueles que, como eu, têm uma lembrança afetiva forte da apresentadora e para aqueles que não têm também, pois retrata como foi a evolução dos meios de comunicação de massa no Brasil, os grandes festivais de música popular brasileira, a época da ditadura militar e como foi a luta de uma mulher para ser dona de seu destino, carreira, vontades e de sua Vida.

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