Uma homenagem à vida de Hebe Camargo – Parte I

O título pode parecer não estar à altura da história e da obra de Hebe Camargo (1929-2012), porém não é possível falar da apresentadora sem a relacionar diretamente à vida.

Ao longo das 257 páginas do livro de Artur Xexéo, Hebe – A Biografia, o leitor consegue perceber, por meio das palavras do autor, como a apresentadora irradiava energia e positividade.

Hebe Camargo, para quem não sabe (como alguém pode não conhecer a Hebe?), ficou conhecida como a Rainha da Televisão Brasileira e, de fato, foi.

De riso fácil, jeito acolhedor e o prazer contagiante de viver, Hebe desfrutou de seus 83 anos em grande estilo. Alguns momentos mais gloriosos, outros nem tanto. Algumas fases brilhantes, outras nem tanto. Alguns comportamentos que viraram moda na época, outros que entraram para a história.

Pontuei alguns momentos curiosos e cruciais que moldaram sua história e carreira.

Início da carreira

Hebe começou sua trajetória no rádio, como cantora, no fim da década de 1940. Nesta época, já brilhava e ganhou alguns apelidos como “Estrela de São Paulo”, “Moreninha do Samba” e Vitamina do Samba”, entre outros.

Antes de brilhar na carreira solo, formou o quarteto Dó-Ré-Mi-Fá ao lado de sua irmã Stela e de duas primas. Após um tempo – quando as primas casaram –, o grupo foi desfeito e Hebe e sua irmã cantaram em dupla com o nome de Rosalinda e Florisbela.

Uma homenagem à vida de Hebe Camargo _Cabruuum
Crédito: Divulgação/SBT

Chegada na televisão

Sua primeira aparição aconteceu no Musical Manon, apresentado por Roberto Corte Real. Ali, o apresentador notou uma característica na cantora que a destacava das demais. “Ela não se limitava a cantar a música que tinha ensaiado. Gostava sempre de introduzir a canção com uma historinha”, conta Xexéo na página 54.

Em uma ocasião, Corte Real ficou doente e indicou Hebe para substituí-lo. Com o seu jeito de entreter o público, Hebe arrasou e o titular do programa preferiu não voltar. Corte Real achou que Hebe comandava o programa melhor que ele(!). E assim nascia a apresentadora Hebe.

Hebe ganha seu próprio programa

O ator, escritor e produtor Walter Forster pensou num programa em que a – agora – apresentadora não precisasse cantar e sim apresentar e interagir com convidados. Foi assim que nasceu o programa O Mundo é das Mulheres, um talk show que toda semana recebia um convidado para ser entrevistado por um grupo de quatro ou cinco mulheres.

O primeiro entrevistado foi Juvenal Lino de Matos, prefeito da cidade de São Paulo em 1955.

Segundo Xexéo, o que transformou a atração em um sucesso absoluto foi a personalidade de sua apresentadora. “O programa apresentou para o público uma mulher descontraída, de raciocínio rápido, piadista, brincalhona, divertida, dona de uma risada contagiante”, está lá na página 56.

Este perfil destoava dos demais apresentadores, esmagadora maioria composta por homens, que eram formais, com linguagem empostada e engessados.

Começam as mudanças

A fama foi crescendo. A TV Paulista a projetou ao status de estrela do público feminino, que passava a assisti-la e querer saber de sua vida. Se era casada, namorava, que horas levantava, o que vestia, quais eram suas medições, o que gostava de comer.

Em 1957, quando conseguiu tirar férias, embarcou em sua primeira viagem internacional. Fez um tour pelos Estados Unidos. Quando voltou ao Brasil, a novidade que mais chamou atenção dos fãs e da mídia foi a cor de seu cabelo. “Hebe desembarcou pesando seis quilos a mais. E loura. Inteiramente loura. Moreninha do samba, nunca mais (seu apelido da época de rádio)”, página 62.

De volta ao batente, Hebe foi ganhando cada vez mais força. Além de O Mundo é das Mulheres, outros programas passaram a fazer parte de sua rotina. A TV Paulista passou a utilizá-la em todos os novos projetos ou quando precisava substituir algum artista. Houve um momento que Hebe estava à frente de cinco programas diferentes, entre os quais:

  • O Mundo é das Mulheres
  • Espetáculos Piraquê
  • Com a Mão na Massa
  • Encontro Musical Aliança
  • Maiôs à Beira-Mar

Loira e multiapresentadora, Hebe também teve seus dias de humorista. Isso porque quando o comediante Manoel de Nóbrega entrou de férias, Hebe se sentou no banco e conduziu, por alguns meses, o programa Praça da Alegria. Quando foi preciso, também entrou em cena como atriz na peça Mulheres.

Em nome do amor

Início dos anos 1960, Hebe anunciou que, por um bom casamento, largaria a carreira artística.

Meados de 1963, sua carreira sofreu reviravoltas.

Hebe enviou um inesperado convite a amigos, políticos e personalidades que ela tinha se acostumado a entrevistar. Aos 35 anos, se casava com o empresário paulistano Décio Capuano. “[…] estava disposta a ser apenas dona de casa”, diz o autor do livro na página 85.

A história de contos de fada ficou completa quando Marcello – seu único filho – nasceu, em 20 de setembro de 1965.

Foto 3Uma homenagem à vida de Hebe Camargo _Cabruuum
Crédito: Divulgação/Caras

Porém, a pacata vida doméstica não durou muito tempo.

Se liga que, na Parte II, esta resenha ainda fala sobre como surgiu o bordão “Que gracinha”, a dupla com Ronald Golias e a ida para o SBT, entre outros assuntos. Clique aqui! 

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