Conheça o mundo zen de Mushi-shi

Sabe aquelas listas clichê que você não consegue ignorar? Aquelas do tipo Buzzfeed? Então, certo dia me deparei com uma chamada “10 pérolas escondidas no Netflix”. Maldição! Quem consegue evitar um título destes?

Pois bem, fui dar uma conferida e só tinham filmes ou séries que eu já havia assistido com exceção de um título: Mushi-shi. Como eu gosto de cultura japonesa resolvi dar uma chance.

E não é que Mushi-shi realmente é uma pérola escondida?! Uma obra de arte com um clima calmo, bucólico e sobrenatural. Ao assistir, sem que eu percebesse, fui ficando tranquilo, zen e, de repente, estava me sentindo no Japão feudal, em meio a natureza e com vontade de tomar chá verde ou algo assim.

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Há 20 episódios no Netflix e existem outros indisponíveis no serviço de streaming, mas você consegue encontrar facilmente na internet. Cada capítulo é curtinho, dura uns 20 minutos, e o enredo sempre tem começo, meio e fim.

É como se fosse uma coletânea de contos. O que liga as histórias é o protagonista chamado Ginko e, também, os Mushi, que são seres que vivem entre nós, porém, poucos conseguem vê-los ou sentir sua presença. Ginko é um Mushi-shi, algo que pode ser traduzido como “um estudioso ou especialista” em Mushi.

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Daí você pergunta: se ninguém é capaz de enxergar as criaturas porque diacho precisa existir um pesquisador de Mushi? Bom, o lance é que apesar de invisíveis, esses seres “fantasmagóricos” podem interferir no dia a dia das pessoas e da natureza, provocando acontecimentos estranhos como uma chuva interminável numa determinada região ou fazendo com que uma pessoa nunca mais acorde.

Com o desenrolar do anime e das soluções que o personagem principal desenvolve para restabelecer a harmonia, você começa a entender melhor a essência dos Mushis, que são seres irracionais e causam distorções apenas por existirem, algo próximo a um fenômeno natural, como um furacão ou uma tempestade.

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A conduta do protagonista, que é um tipo de andarilho-eremita-isoladão, é outro fato explicado no decorrer da série. Quando criança, Ginko era explorado por outros Mushi-shis por causa da sua rara habilidade de atrair Mushis. Com a presença de muitos dos seres enigmáticos, fatos estranhos e indesejados começavam a ocorrer e os Mushi-shis conseguiam trabalho. Mega golpe baixo. Exploração infantil.

Essa questão do dinheiro é algo interessante, eu só fui perceber que o serviço era remunerado depois de uns 10 episódios. Os costumes, a hospitalidade, a etiqueta e até a hostilidade são mostrados de uma maneira bacana. De um jeito nipônico antigo. É bem legal entender mais sobre a cultura de outro povo. Eu acho, pelo menos =)

Em um capítulo revelador, mais ou menos no meio da temporada, acontece um flashback.

Aqui vai rolar alguns spoilers fortes, continue por sua conta e risco!
(é só um trechim)

Nesse episódio, uma espécie de mentor explica para um jovem Ginko que ele precisa sempre estar em movimento para evitar incidentes gerados pela presença de Mushis. Ele também ensina o “discípulo” a fazer um cigarro que espanta as criaturas. Ginko fuma o tempo todo.

Outro “segredo” desvendado é a história do olho esquerdo do personagem, que está sempre coberto pelo cabelo. Ao invés de globo ocular há um vazio, uma escuridão profunda, quase um buraco negro. O fenômeno foi causado por um Mushi que vive dentro do corpo de Ginko.

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crédito: bewareofmpreg

Com exceção desse episódio, quase nada se fala diretamente de Ginko. O anime segue com ele caminhando por vilas, montanhas e florestas, interagindo com pessoas, aprendendo mais sobre sua profissão e resolvendo pertubações causadas pela interação desequilibrada entre a natureza, os humanos e os mushis.

Um telespectador desavisado pode, talvez, vê-lo como alguém amaldiçoado sem lar ou raízes. Mas é, na verdade, exatamente o oposto. Ginko compreendeu sua natureza e a ordem natural das coisas. Ele consegue entender os acontecimentos sem pré-julgamentos.

É uma ideia muito legal, não é? O cara tem a escuridão dentro dele. Era de se esperar que ele fizesse o mal ou se considerasse uma vítima ou fosse um anime problema. No entanto, Ginko prefere seguir em frente e fazer parte do mundo da melhor forma possível. Esquema filosofia oriental, Yin e Yang, busca pelo equilíbrio, perspectiva mais profunda.

Fim dos spoilers fortes!

Quem gosta de contos, alegorias do tipo de Dom Quixote ou de irmãos Grimm com certeza vai curtir. Quem é fã de chá verde também… kkkk

No início de cada episódio, nos créditos, toca a música Shiver da Lucy Rose. É uma canção folk agridoce, em inglês, sobre a separação de um casal. Em teoria não combina nem um pouco com japão medieval ou com as histórias do anime, que raramente abordam temas românticos. E, para piorar, durante a animação, a trilha é bem oriental, um estilo meio taikô… além de sons de pássaros, rios e vento. Porém, contra todos os prognósticos, a musiquinha de violão funciona perfeitamente. Eu – que costumo pular introduções muito grandes de seriados – gostava dessa. Falando nisso, ninguém merece a intro de 3 minutos de Dexter.

MÚSICA SHIVER LUCY ROSE


Para quem quiser saber mais:

Mushi-shi tem mangá, são 10 volumes de onde o anime foi adaptado. A obra foi escrita e desenhada por Yuki Urushibara entre 1999 a 2008. Vale a pena também.

Site do anime em japonês: clique aqui.
Perfil da idealizadora do Mushi-shi: clique aqui.
Instagram da Lucy Rose: clique aqui.

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