Leïla & Liudmila: conheça autoras que virão à Flip 2018

Em setembro do ano passado, fui pela primeira vez num clube de leitura, o Leia Mulheres, da minha cidade (São Bernardo do Campo). Como o nome já anuncia, resumidamente, o objetivo é que leiamos obras escritas por mulheres, sobre qualquer tema e em qualquer gênero literário.

Foi participando do clube que tive o prazer de entrar em contato com a obra de duas autoras que estarão na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano: Leïla Slimani e Liudmila Petruchévskaia.

LeilaDivulgaçãoFlip
Leïla Slimani (crédito: flip)
LiudmilaDivulgaçãoFlip
Liudmila Petruchévskaia (crédito: flip)

Canção de ninar

Publicado em mais de 36 países e com um projeto para virar filme, Canção de ninar fez com que Leïla Slimani fosse a primeira escritora de origem marroquina a ganhar o Goncourt, prêmio literário mais cobiçado da França.

DivulgaçãoPlanetaDeLivrosBrasil
Crédito: Divulgação/PlanetaDeLivrosBrasil

Slimani desenvolveu a trama depois de ficar impressionada ao saber do caso real de uma babá que matou duas crianças em Nova York. Ainda assim, o livro não é o relato desta tragédia de forma romanceada. A autora parte deste acontecimento real para traçar uma narrativa que, à medida que nos vai envolvendo com os personagens e nos deixando num estado de alerta para a calamidade iminente, vai também nos guiando por pequenas situações cotidianas, aparentemente sem maiores consequências. No entanto, essas situações cotidianas nos fazem pensar e repensar as relações de poder e os preconceitos entre classes sociais e diferentes culturas, e as cobranças e o papel da mulher na sociedade “produtiva”, principalmente quando esta mulher se torna mãe.

Seu coração endureceu. Os anos o cobriram com uma casca grossa e fria, e ela mal o ouve bater. Nada mais a emociona. Precisa admitir que não sabe mais amar. Esgotou toda a ternura que tinha em seu coração, e suas mãos não têm mais nada para afagar.

Serei punida por isso”, ela se ouve pensar. “Serei punida por não saber amar.”

Leïla Slimani estará na Flip no dia 27/07 (sexta-feira), na mesa Interdito, com André Aciman (autor de Me chame pelo seu nome – romance que deu origem ao filme homônimo) e Ricardo Domeneck (poeta paulista radicado em Berlim). Como divulgado por Joselia Aguiar, curadora do evento, inspirados na obra de Hilda Hilst e com base em suas próprias vivências literárias, os autores tratarão de temas como o exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabus como o homoerotismo e a sexualidade feminina.

Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha

Com um título desses, não precisaríamos de mais nada para ficarmos curiosos ou sairmos correndo de perto do livro, dependendo do seu gosto literário… Mas Liudmila Petruchévskaia ainda nos entrega o subtítulo Histórias e contos de fadas assustadores. A coletânea de contos foi publicada em 2009 na Rússia e, só agora, em 2018, ganhou a sua versão em língua portuguesa – com direito a pocket show com a presença da autora!

DivulgaçãoCompanhiaDasLetras
Crédito: Divulgação/CompanhiaDasLetras

Comparada muitas vezes a Edgar Allan Poe e Nikolai Gogol, Petruchévskaia utiliza uma linguagem simples e direta que vai nos ambientando numa realidade aparentemente normal que, aos poucos, vai incorporando elementos fantásticos como se fossem simples elementos do cotidiano, bem ao estilo de narração de contos de fadas mesmo, mas que, neste caso, combina acontecimentos macabros e personagens sinistras com o contexto político soviético. Não à toa, sua obra foi banida da União Soviética até o final dos anos 1990.

[…] e Jênia entendeu que para as pessoas nem tudo é tão simples, e que existe um lado da vida secreto, animal, que floresce teimosamente, e é nele que se concentram as coisas detestáveis e hediondas; e será que não haviam matado sua mãe?, pensava a Jênia adulta (dezoito anos) – pois mamãe ainda era jovem e podia ter ido parar nessa sombra da vida onde tanta gente morre.

Do conto A sombra da vida

A escritora russa estará na Flip no dia 28/07 (sábado), na mesa No pomar do incomum, definição que, segundo Joselia Aguiar, a autora utiliza para descrever o seu processo criativo: o que ela faz, o que existe em sua obra, não é exatamente a realidade que existe, mas não significa que não seja realidade. Ela visita o pomar das possibilidades incomuns, onde são colhidos seus contos de horror e fantasia.


Para saber mais sobre:

Leia Mulheres: Site 

Programação Flip 2018: Cabruuum

Leïla Slimani: Matéria – Revista Cult

Me chame pelo seu nome: Matéria – El Pais

Pocket show com Liudmila Petruchévskaia:

Edgar Allan Poe:  Site (em inglês)

Nikolai Gogol: Site 

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