Sossego e agitação: o incrível paradoxo do FIQ

Desde 2015, quando ocorreu a 9ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos, a vontade de ir ao FIQ só fez crescer e crescer. Quando recebemos a notícia de que não haveria FIQ em 2017 por causa da crise que atingiu o país todo e quebrou governos e prefeituras, lamentamos muito e torcemos para que um evento com essa importância não morresse assim.

E ele voltou! E garantimos a nossa presença! Para tornar o momento ainda mais especial, conseguimos visitar o Festival e cobrir o evento para o Cabruuum. Criamos expectativas altas e elas conseguiram ser superadas, graças ao clima muito bom durante todo o evento, antes e depois dele também.

Chegamos ao Aeroporto de Confins e já tivemos a oportunidade de curtir o sotaque mineiro, que sempre dá um conforto como se já conhecêssemos as pessoas. Com a gentileza dos belo-horizontinos, achamos a Serraria Souza Pinto. Então tivemos uma guia experiente em FIQ, Cristina Eiko, que nos levou até nosso hotel. Eiko frequenta a FIQ desde 2009, no início como visitante e agora como quadrinista. Ela é a dona da arte do evento desse ano e criadora, com Paulo Crumbim, dos Quadrinhos A2 e do Penadinho: Vida, graphic novel lançada em 2015 pela MSP (Mauricio de Sousa Produções).

Sábado começou com encantamento pelo sossego do FIQ. Então você pode pensar: “Ah, então o evento estava vazio, não tinha movimento!”. Muito pelo contrário! O movimento foi constante, ora mais tranquilo, ora com corredores lotados. Difícil explicar, mas, mesmo nos momentos de lotação máxima, o clima possuía uma paz, um burburinho ritmado de conversas entre quadrinistas e público, quadrinistas e quadrinistas, público e público.

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Informações e números

A 10ª edição do Festival, que ocorreu do dia 30 de maio ao dia 3 de junho, foi uma correalização da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura, e do Instituto Periférico. Os patrocínios da Oi e da Cemig foram viabilizados pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

A programação do evento, gratuita e aberta ao público, não ficou apenas na Serraria Souza Pinto. A exposição Inarredáveis! Mulheres Quadrinistas estava na Casa Fiat de Cultura, a Mostra FIQ de Cinema, no MIS Cine Santa Tereza, e, no Centro de Referência da Juventude, ocorreram várias oficinas.

A temática dessa edição foi Processos Colaborativos e teve a curadoria de Ana Koehler, Carol Rossetti, Daniel Werneck e Fabiano Azevedo. Com 217 mesas e 22 estandes, além de debates, sessões de autógrafos, oficinas e três exposições: Traçados na Memória, Nilson – Humor, Amor e Combate e Érica Awano, a homenageada do FIQ 2018, considerada a lenda do mangá nacional, que trabalhou nos mercados estadunidense e europeu e realizou trabalhos reconhecidos no Brasil e internacionalmente.

O grande nome do evento foi Dave McKean, que veio para o Brasil com o apoio da editora Darkside Books para o lançamento de Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash, obra sobre as lembranças do pintor surrealista, que combateu na Primeira Guerra Mundial, e de seus amigos. Todas as sessões de autógrafos tiveram suas senhas esgotadas, o que fez a organização abrir sessão extra para tentar atender todo mundo.

E tivemos mais convidados internacionais: Flore Balthazar, Gauthier, Claudia Ahlering, Powerpaola, Troche, Zerocalcare e Mario Alberti. Além dos nacionais, Eloar Guazzelli, Marcelo D’Salete, Dika Araújo, Cris Eiko e Rebeca Prado. Ah… que time!

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O diferencial

Passamos os dois dias de nossa visita ao FIQ tentando entender direitinho o diferencial desse evento, tentando entender tudo o que os quadrinistas e colegas falavam do Festival. Os olhinhos deles sempre brilhavam quando o tema da conversa era FIQ e um suspiro leve e espontâneo surgia no final da fala.

As coisas começaram a fazer sentido assim que chegamos ao evento, encontramos amigos, conhecemos colegas, conversamos com quadrinistas que admiramos e que passaremos a admirar. É uma concentração de gente contente, uma energia boa, um encontro de elementos que, provavelmente, só acontece lá. A essência do evento é esse sossego com uma agitação, o sossego de gente admirada com a agitação da novidade, do lançamento, da exaltação da arte e da vida ganha com ela.

No FIQ, os artistas conseguem interagir, visitar as mesas um dos outros, trocar trabalhos e ideias. Ao contrário dos eventos de São Paulo, todos conseguem sair após o evento para jantarem juntos e passearem um pouco, pois há lugares legais por perto e são mais baratos do que os da capital paulista. Dessa forma, rola uma imersão nesse mundo dos quadrinhos durante todos os dias do evento. Ou seja, durante o Festival, há movimento e bate-papo, e, após o Festival, há diversão e leveza. A exaustão diária de uma CCXP, por exemplo, não existe. Ambos os eventos são incríveis, mas essas são as diferenças que mais se destacam. Saímos de lá nos sentindo órfãos. Hehehe…

Sabemos que é muita luta para manter um festival assim e para trabalhar com arte em um país que ainda está aprendendo a valorizá-la. O FIQ sobreviveu à crise e acredito que o principal fator dessa resistência é o desejo de que ele aconteça, tanto por parte dos criadores e organizadores como dos artistas e das editoras que participam e se esforçam para estarem lá.

O FIQ permanece vivo e se alimenta do amor pelos quadrinhos.

Vida longa ao FIQ!

Confira a nossa galeria de fotos na página do Cabruuum no Facebook.


Para quem quiser saber mais:

Sobre o FIQ: http://www.fiq.pbh.gov.br/
Cris Eiko: https://www.facebook.com/cristina.eiko
Fora do Plástico: https://www.instagram.com/foradoplastico/
AfroNerd: https://www.instagram.com/afronerd_/
Quadrinhos Arretados: https://www.instagram.com/quadrinhosarretados/

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